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quarta-feira, 22 de maio de 2019

Colagem, esta técnica tem história: O estudo com flores em collage


Pouco depois de concluir o painel A árvore, em 2009, um artista de collage americano, por intermédio das redes sociais, associou o conceito do meu trabalho ao do Buquê de olhos de Hannah Höch (1889-1978). Eu ainda não havia iniciado o estudo da história da técnica, portanto fiquei surpreso com a proximidade das expressões. 

Segundo o teórico e artista Fernando Fuão, autor de A collage como trajetória amorosa, a escolha de imagens de olhos em collage, muito comum por sinal, pode revelar a intenção do artista em apresentar a sua visão particular, distinta, do mundo. 



Buquê de olhos – Hannah Höch – 1930 



Painel A árvore – collage sobre MDF – 350 x 250 cm – 2009 

No artigo anterior, Collage. Arte marginal? http://silvioalvarez.blogspot.com/2019/05/colagem-esta-tecnica-tem-historia.html abordei a minha intenção, por vezes inconsciente, de aproximar a collage da pintura, ou, pelo menos, de demonstrar a gama de alternativas técnicas possíveis. Mas para essa aproximação ocorrer, hoje constato, precisei percorrer um longo caminho que tentarei descrever aqui. 

Quando produzi o painel A árvore empregando olhos para simbolizar folhas (ou flores) acabei por trabalhar intuitivamente todo um aspecto técnico que só bem mais tarde passaria a atentar. Colar olhos com tonalidade mais escura, primeiro, por exemplo, para somente depois sobrepô-los com os olhos-folhas mais claros. 

Foi a partir dessa experiência e de algumas outras é que comecei a compreender o quanto poderia evoluir tecnicamente e como e quanto a percepção pode ser amplificada no trabalho metódico de folhear centenas de revistas, de recortar figurinha por figurinha prestando atenção em cada detalhe e sinuosidade, dia após dia. Concluí que o caminho para a liberdade criativa é o fazer artístico, o trabalho árduo, amoroso, persistente e determinado, com um desprendimento sincero, aberto aos aprendizados que a prática oferece.    

Para conhecer meu processo criativo http://www.silvioalvarez.com.br/processo-criativo/

Somente conhecendo profundamente a parte técnica é que conseguimos deixar a imaginação livre das amarras criativas e assim liberar a emoção para que a produção flua, verdadeira. 

“A experiência estética é um modo de cognição através da apreensão direta (...) é uma ampliação e uma intensificação da percepção sensorial”.                             Harold Osborne 

Além do senso de observação, indispensável, de mergulhar nos detalhes dos objetos-alvo, do que está a nossa volta, cotidianamente, a collage exige uma percepção mais profunda a fim de que consigamos reproduzir o desejado, empregando imagens já utilizadas em outras circunstâncias. Para mim, é como se essas habilidades somente funcionassem em um estado mágico, por intermédio de uma conexão livre com o inconsciente. Assim como em outras expressões artísticas, imagino, para isso acontecer, a técnica tem de estar dominada. 

Ao empregarmos as imagens pré-fabricadas, de origens diferentes, trazemos para a nossa expressão toda a carga simbólica de cada imagem. Portanto, além de pintar com papel, em collage também reprocessamos conceitos, desconstruímos realidades para construir uma nova. Sendo assim, já que o símbolo é uma das molas-mestras da collage, é importante que também conheçamos a simbologia dos objetos-alvo, principalmente se estes forem recorrentes. No meu caso, vêm sempre à tona olhos, flores, relógios. castelos, entre outros. 

Na cultura japonesa do arranjo de flores (Ikebana), por exemplo, a flor é considerada como o modelo do desenvolvimento da manifestação, da arte espontânea, sem artifícios. No Ikebana, o arranjo de flores representa o ciclo vegetal e, por conseguinte, um resumo do ciclo vital, seguindo um esquema ternário: o galho superior é o do céu, o galho médio o do homem e o galho inferior, o da terra. Assim como essas três forças naturais devem harmonizar-se  para formar o universo, as hastes das flores devem equilibrar-se no espaço. Nos arranjos florais japoneses, simbolicamente, experimenta-se o ritmo da tríade universal, na qual o homem é o mediador entre o céu e a terra.

Na História da Arte as flores são um dos aspectos essenciais de uma natureza-morta, que passa a surgir como gênero artístico somente em meados do século XVI . Nas línguas latinas, natureza-morta, nature morte, e nas línguas saxônicas , still life, stilleben (vida imóvel, vida em suspensão).



Natureza-morta de Juan van der Hamen y León (1596 - 1631) 

Geralmente, os itens preferidos dos pintores dedicados às naturezas-mortas são as flores, mas também comidas e bebidas, louças, instrumentos musicais, livros e tudo o que mais se referisse à esfera doméstica, vocações e hobbies. 

Nas vanitas, tipo de obra de arte simbólica associada à natureza-morta, do norte da Europa e dos Países Baixos, nos séculos XVI e XVII, que comumente incluía caveiras (crânios), a representação pode ser compreendida como uma alusão à insignificância da vida terrena e à efemeridade da vaidade. A palavra vanitas, em latim, significa vacuidade, futilidade, e na História da Arte é interpretada como vaidade. As caveiras, eram lembretes da inevitabilidade da morte; frutas apodrecidas, simbolizavam a decadência trazida pelo envelhecimento; fumaça, bolhas, relógios e ampulhetas, assim como as flores, frutas e borboletas, simbolizavam a brevidade da vida. 

Ao experimentar a pintura com imagens já utilizadas e de origens diferentes vi que as naturezas mortas, mais especificamente os arranjos florais, além de serem bastante atrativos ao público, poderiam me fornecer o grau de dificuldade necessário para o avanço do estudo da luz, cor e perspectiva, de uma forma menos trabalhosa e demorada do que nas paisagens. 



Este foi meu primeiro arranjo floral, de 2015, produzido para um projeto de capa de caderno. Creio que foi a partir desse trabalho que nasceu todo o meu encantamento pelo tema e foi também quando percebi que desejava incluir os arranjos florais como objetos de criação daí pra frente. 



Em 2016 descobri a abrangência da obra de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962), além das suas paisagens com igrejas e neblina, e produzi A arte das flores, 


Flores para Guignard - 2016


Flores para Guignard II - 2018 


Foi a obra de Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) que fez com que eu me interessasse em definitivo pelos arranjos florais. Tanto que resolvi criar a série Flores para Guignard. Diga-se de passagem, o mestre da pintura moderna brasileira também produziu collages surrealistas, que nada tinham de floridas. 


 

Arranjo floral e collage surrealista de Guignard


Em 2017, produzi a série Arranjos florais, com a intenção de trabalhar as flores, mas com cores específicas em diferentes tonalidades.




Em 2018, nasce Flores para Cézanne, buscando aliar o meu conceito de perspectiva em paisagens com o de arranjo floral. Na História da Arte, foi com Paul Cézanne (1839-1906) que o gênero natureza-morta ganhou novas dimensões, imortalizado pelas composições com maçãs executadas a partir de 1870. Tanto quanto suas maçãs, seus arranjos florais são igualmente inspiradores. 


Flores para Cézanne - 2018 

Em 2019, em Jarro de flores, busquei reunir tudo o que havia assimilado com os trabalhos anteriores. 



Refiro-me nesse artigo tão somente à collage como recortar, transformar e colar imagens impressas pré-existentese  e de diversas origens. Pois existe ainda a possibilidade da criação dos elementos florais com o recorte do papel liso. Com referência à representação de flores, Herta Wescher, em sua História da Collage, menciona o recortador Fachri, que já no século XVI, na Turquia, inserido na ornamentação de livros, produzia delicadas flores e folhas com sua tesoura. No campo disseminado por Etienne de Silhouette (1709-1767), o controverso desenhista e ministro das finanças francês que deu nome ao procedimento, cabe ainda mencionar Philipp Otto Runge (1777-1810), que além de exímio no recorte, também era pintor.  


Trabalho em recorte de Philipp Otto Runge 


Voltando à pintura, com o intuito de inspirar e ser inspirado, realizei pesquisa que apresento a seguir: arranjos florais de mestres da pintura, de diferentes épocas e estilos. 


Vaso com Flores (1930) - Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) 


Cândido Portinari (1903-1962) 


Obra de 1930 de Alfredo Volpi (1896-1988) 


Vaso branco com flores (1910) de Odilon Redon (1840-1916)


Henri Matisse (1869-1954) 



Vaso com flores - Tarsila do Amaral (1886-1973)


Vaso de flores - Anita Malfatti 



Henri Fantin-Latour (1836-1904)


Vaso de flores - Clóvis Graciano (1907-1988)

Referências bibliográficas:

- A collage como trajetória amorosa – Fernando Fuão
- Colagens Hannah Höch 1889-1978- Institut für Auslandsbeziehungen - IFA 
- Para apreciar a arte – Roteiro didático – Antonio F. Costella 
- Dicionário de símbolos – Jean Chevalier e Alain Gheerbrant 
- Guignard – uma seleção da obra do artista – Museu Lasar Segall 
- A arte de Cézanne – Nathaniel Harris 
- La Historia Del Collage – Herta Wescher
- Silhouettes - A History and Dictionary of Artistis - E. Nevill Jackson 
- NATUREZA-MORTA . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo360/natureza-morta
- FLORES . In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo3185/flores
- Vanitas – Wikipédia https://pt.wikipedia.org/wiki/Vanitas 
- Étienne de Silhouette – Wikipedia https://fr.wikipedia.org/wiki/%C3%89tienne_de_Silhouette


segunda-feira, 4 de março de 2019

Colagem – Esta técnica tem história - A curiosa história do cachorro de papel



Mortlake Terrace, quadro de William Turner, de 1826


Tomei contato com a história que compartilho a seguir ao ler Para apreciar a arte, livro do Prof. Antonio F. Costella. 


Prof. Antonio F. Costella

Antonio Fernando Costella é bacharel em direito pela Universidade de São Paulo, foi professor de História e Legislação dos Meios de Comunicação na Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero e da Escola de Comunicações e Artes da USP. Lecionou durante cerca de 30 anos na UNITAU e foi também professor na universidade de Santos e na Escola Superior de Jornalismo do Porto, em Portugal.

O professor teve sua vida transformada ao adotar um cão vira-lata, o querido Chiquinho. Ao levar o animal ao veterinário foi comunicado que o cão morreria de saudades se ficasse sozinho por um longo tempo. Sendo assim, decidiu levar o novo amiguinho em sua viagem à Europa. A experiência – aventura rendeu um sucesso editorial. Dessa forma Costella teve a feliz ideia de escrever a série Patas, a começar por Patas na Europa, tendo o cão Chiquinho como narrador.

Em seu livro Para apreciar a arte, leitura obrigatória para quem deseja compreender e aprimorar o ritual da apreciação estética, o professor narra a história do quadro Mortlake Terrace, de William Turner. 

Romântico da Era Vitoriana, Turner foi um estudioso da luz. Interessava-lhe, especialmente, a aplicação da luz e sua incidência sobre as cores da maneira mais natural possível.

Durante o seu vernissage, em 1826, quando apresentou o quadro Mortlake Terrace, pintado totalmente contra a luz, eis que acontece algo sui generis na História da Arte. 

Turner vai almoçar e deixa a exposição sozinha. Um pintor amigo, supostamente rival, Edwin Landseer, ao apreciar a obra, julga que algo faltava alí. Especializado em pintura e escultura de animais, Landsheer não teve dificuldade para recortar um cachorro de papel e colá-lo na obra a seu bel prazer.



Ao retornar do almoço e deparar-se com a inesperada intervenção, William Turner, mesmo atônito, não ficou contrariado, ao invés disso gostou e aceitou a traquinagem artística do colega. Tomou a iniciativa, apenas, de complementar pintando o cãozinho de preto e reposicionando-o alguns centímetros para o lado. 

Landsheer é outro exemplo de amor à arte e aos animais. Em suas pinturas e esculturas, Sir Edwin Henry Landseer buscava apresentar a anatomia animal com reconhecida habilidade. Demonstrava também a tendência de humanizar e sentimentalizar essas características para destacar sua visão moral a respeito da vida.

Acredita-se que, no fim de seus 30 anos, o artista sofreu um colapso nervoso substancial e que, pelo resto de sua vida, viveu episódios recorrentes de melancolia, hipocondria e depressão, muitas vezes agravados pelo uso de álcool e drogas. Em julho de 1872, chegou a ser declarado louco por sua família.


The Chief Shepherd's Mourner, de 1837

Por pintar muitas cenas de caça, porém, seus trabalhos por vezes foram duramente criticados. O que, ao admirar algumas de suas pinturas, não parece, contanto, condizer com a realidade. Caso do quadro The Chief Shepherd's Mourner, de 1837.

Fonte:

Para apreciar a arte – Antonio F. Costella – Editora Senac

O cachorro de papel de Edwin Landseer – por Lora Taylor Gray
https://www.csmonitor.com/1989/1117/udog.html

Wikipedia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Antonio_Fernando_Costella
https://pt.wikipedia.org/wiki/William_Turner
https://pt.wikipedia.org/wiki/Edwin_Landseer

Contatos Silvio Alvarez

www.silvioalvarez.com.br

silvioalvarez@gmail.com

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Rafael Mariposa é o novo aprendiz do Ateliê Silvio Alvarez



Conheci o estudante de comunicação visual Rafael dos Santos Camargo, de nome artístico Rafael Mariposa, durante a minha exposição no Conjunto Nacional de 2016. Com 20 anos de idade, Rafael é estudante de Comunicação Visual da ETEC José Rocha Mendes, em São Paulo, e já desenvolve projetos em desenho, pintura, escultura, arte urbana, teatro, poesia, como recreador e cosplay.



Trabalho de Rafael Mariposa em isogravura



Cosplay, Rafael Mariposa como Homem Aranha



Rafael Mariposa como Peter Pan 
Fotografia e edição: Rubens  Macedo


Como já havia tomado contato com a colagem em seus estudos, Rafael Mariposa, natural de São Paulo, passou o mês de fevereiro em Joanópolis, no Ateliê Silvio Alvarez, para aprimorar o seu conhecimento na técnica, tomando contato com o processo criativo in loco e praticando livremente. O resultado foi surpreendente.



Procurando não interferir em suas criações, permiti que o estudante desenvolvesse trabalhos mesclando a técnica da colagem com o desenho e a pintura. Creio que as imagens dos trabalhos desenvolvidos nesse primeiro momento dizem tudo, muito mais do que palavras.




Rafael Mariposa é o novo aprendiz do Ateliê Silvio Alvarez , mas já alcançou algo a mais, importante para a sua carreira de artista plástico. O jovem conseguiu logo de cara algo muito difícil na técnica de colagem: realizar algo verdadeiramente novo, original. Trabalhando colagem com desenho e pintura, 
Rafael abre uma estrada nova criativa e gigantesca no universo artístico da colagem.



Além disso, Rafael Mariposa, que pretende cursar faculdade de artes plásticas, revela-se também como um potencial arte educador, por possuir, a meu ver, o componente essencial: carrega em si o amor genuíno por tudo o que faz. Ele já realizou, ao meu lado, oficinas no Lar Joanópolis, para idosos, e na Biblioteca de São Paulo, para crianças.






O primeiro a participar do projeto Aprendiz foi Leonardo Giovane, natural de Joanópolis, hoje intercambista de Turismo da UNESP em Budapeste, Hungria. Leonardo Giovane não seguirá a carreira artística, mas também demonstrou aptidão para a produção de colagens e para desenvolver oficinas como arte educador. Como primeiro aprendiz do Ateliê Silvio Alvarez, Leonardo foi responsável por me auxiliar em boa parte da produção 2014, 2015 e 2016.



Contato Silvio Alvarez 

www.silvioalvarez.com.br

Contato Rafael Mariposa

Rafael Mariposa Cosplay https://www.facebook.com/rafacosplay/



terça-feira, 14 de junho de 2016

Projeto Artistas do Futuro - releituras, a Colagem a serviço da arte educação




Há alguns anos tomei contato com o trabalho desenvolvido pela professora de artes Simone Santiago, da rede pública de ensino do Rio de Janeiro. Na ocasião a professora desenvolveu com seus alunos a proposta de releituras digitais de obras célebres. Foi o trabalho da professora Simone que me trouxe a inspiração para a criação do projeto Artistas do Futuro.  



Na mesma época, ao realizar uma oficina para professores, uma participante desenvolveu um trabalho na linha da pop art e quis saber mais do se tratava, pois desconhecia o movimento artístico. 

Raciocinei a respeito da realidade brasileira no ensino da arte e, apesar do esforço de muitos professores, concluí que a grande maioria dos alunos chega ao ensino médio e à idade adulta desconhecendo a existência da Mona Lisa. 



Mais do que erudição a arte referencia a criança a enxergar o mundo com sensibilidade, a raciocinar, a criar, a desbravar horizontes além daqueles referenciados pelos seus pais ou por seu meio social e cultural.   

A partir dessas inspirações criei o Projeto Artistas do Futuro, desenvolvido em escolas públicas brasileiras com apoio espontâneo de empresas ou por intermédio de Leis de Incentivo. Voltado a crianças e jovens, da pré-escola ao ensino médio, o projeto acontece nas próprias salas de aula. Em uma oficina com duração de duas horas, com público médio de 30 alunos, apresento 5 obras célebres e proponho a seguir a produção de releitura em colagem de uma das obras, empregando recortes de revistas e uma reprodução fotográfica do quadro escolhido. 




Muito se questiona a validade de se propor a produção de releituras no ensino da arte. Acredito que o que pode fazer total diferença é a forma e a profundidade com que se apresenta a obra ao aluno previamente. Na apresentação das obras, opto sempre pelo caminho da ludicidade, seja qual for a faixa etária do aluno. A meu ver a arte deve referenciar a criança ou o jovem relacionada à algo prazeroso, divertido. Vejo também que, quando não há o estudo da arte com profundidade no currículo regular, a releitura oferece a oportunidade de se tomar contato com a arte de forma mais próxima, rompendo fronteiras, distanciando o aluno do conceito de que arte é para poucos e que deve permanecer inviolável entre as paredes dos museus. 

Penso que certos questionamentos a respeito do emprego das releituras em sala de aula deveriam ser deixados de lado no Brasil até que outras prioridades educacionais fossem supridas. Neste momento, todo contato com a arte proporcionado ao aluno, seguindo os critérios básicos,  pode desencadear seu interesse pela pesquisa e, por conseqüência, fazê-lo desbravar o universo da arte, este já sabedor de sua importância. Questionar a utilização de releituras na arte educação, a meu ver, é semelhante de se inquirir a respeito da validade dos gibis para o estímulo à leitura, eles sozinhos não são de fundamental valia, mas podem ser muito importantes para que a criança adquira o hábito da leitura para toda a vida. 




Nas minhas oficinas do projeto Artistas do Futuro, antes de apresentar as obras e seus autores, procuro transmitir conceitos que contextualizam a arte no dia-a-dia de todo ser humano. Sempre por intermédio de dinâmicas lúdicas, questiono o porquê do homem das cavernas já rabiscar paredes, apresento a arte como um dos meios de sensibilização e do desenvolvimento da criatividade, trato também da arte antes e depois da fotografia, além de outros conceitos que possam aproximar a expressão artística do cotidiano do aluno. Na pré-escola ainda cito os vários tipos de arte que existem. Creio que o mais importante neste processo da releitura é a possibilidade do contato do aluno com o universo criativo de cada artista. Sem falar, é claro, na conscientização ambiental, ao estimular a reciclagem dos materiais por meio da técnica de colagem, reaproveitando revistas usadas.  


“Sou como as crianças da escola. A página em branco está bem escrita, mas, de repente... Um borrão! Ainda sigo nos borrões... E tenho 40 anos”.  Pierre-Auguste Renoir 

O projeto Artistas do Futuro é realizado em três formatos, independentes ou seqüenciados, cada um deles com 5 obras e 5 pintores diferentes. 

No primeiro, ideal para a pré-escola ao 3° ano, apresento: Mona Lisa – Leonardo da Vinci, O Retrato de Dora Maar – Pablo Picasso, Morro da favela – Tarsila do Amaral, Barco com bandeirinhas e pássaros – Alfredo Volpi e Meninos brincando – Cândido Portinari.  





No segundo, apresento: Rosa e Azul – Pierre-auguste Renoir, Os girassóis – Vincent Van Gogh, A dança  - Henri Matisse, Persistência da memória – Salvador Dalí e O violeiro – Almeida Junior.





No terceiro, ainda em elaboração, serão apresentadas obras dos seguintes artistas: René Magritte, Frida Kahlo, Andy Wahrol, Maurits Cornelis Escher e Aldemir Martins. 





Depois de falar a respeito da importância da arte em nossas vidas, apresento as cinco obras e falo dos seus autores, a criança escolhe um dos quadros mencionados, aquele com que mais se identifica, e recebe uma reprodução fotográfica 15 x 10 cm em papel couchê, e, busca nas revistas imagens com o conceito a ser alcançado em sua releitura.  O material é cola branca, pincel, tesoura e a base empregada para a produção é o papel cartão colorido 15 x 15 cm - 240 gramas. O papel cartão colorido para a escolha de uma cor específica é importante, sobretudo, para alunos da pré-escola até o 1° ano, pois nesta faixa etária deixo livre a proposta da textura de fundo e as crianças utilizam na composição a cor escolhida da base. 

Cerca de 8 mil crianças e jovens já participaram das oficinas do projeto Artistas do Futuro e o resultado é sempre maravilhoso. Os alunos se divertem a valer e trazem o seu cotidiano para as composições. Para os professores das salas atendidas abre-se um caminho gigante de pesquisa para as aulas em praticamente todas as disciplinas. 



Para prosseguir, o projeto Artistas do Futuro necessita sempre do apoio de empresas ou pessoas interessadas, que podem ocorrer de forma espontânea ou por intermédio de leis de incentivo. Entre em contato e tenha maiores informações. Em 2015, de forma espontânea, quem abraçou o projeto foi a Henkel (colas Pritt e Cascorez) por intermédio do Programa Make an Impact on Tomorrow - MIT. Em 2016, o projeto, por intermédio da lei de incentivo PROAC - ICMS os patrocinadores são Lojas Tanger, Móveis Província e Margírius.  

Abaixo trabalhos de alunos que participaram das oficinas do projeto Artistas do Futuro









Contato com Silvio Alvarez

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silvioalvarez@uol.com.br