quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Colagem - este quadro tem história: Morro do silêncio


Há cerca de um ano, por intermédio do Twitter, conheci Mônica Amoroso, diretora da Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Helen Keller, localizada no bairro da Aclimação, em São Paulo.

Quando nos conhecemos, ainda virtualmente, falou do seu trabalho frente à escola e mostrou o vídeo abaixo produzido por alunos e professores da EMEBS Helen Keller. Na ocasião, prometi que um dia ainda realizaria oficinas de colagem na Escola.


A EMEBS Helen Keller comemora 60 anos de existência, foi fundada em 13 de outubro de 1952 e é a 1º escola pública de São Paulo a atender crianças surdas. O atendimento especializado foi ampliado e hoje a escola é voltada para educação de crianças, jovens e adultos com surdez, com surdez associada a outras deficiências, limitações, condições ou disfunções e surdocegueira.

Ao assistir ao vídeo apresentado por Mônica Amoroso fiquei bastante emocionado, sobretudo com todo o bom humor demonstrado por alunos e professores. Concluí que mesmo tendo total ciência da existência de pessoas com este tipo de deficiência, que eu também fazia parte do universo de pessoas que desconheciam a realidade de um surdo em nossa sociedade.

Como que em um passe de mágica, surgiu em minha mente a ideia para o quadro Morro do silêncio, com um passe-partout de orelhas e com um morro de mãos, representando a linguagem de Libras.


Morro do Silêncio – colagem sobre MDF – 40 x 30 cm - 2012

Realizei a primeira oficina de colagem na EMEBS Helen Keller no dia 10 de setembro de 2012, justamente no dia da abertura da minha exposição no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.


Bastante tocado pela experiência vivida, a convite da diretora, retornei no dia seguinte para realizar atividade para cerca de 40 alunos adultos do período noturno.


Escrevo este post em 25 de outubro de 2012 e prossigo realizando oficinas de colagem na EMEBS Helen Keller, tendo agora como objetivo atender a todos os alunos da instituição. As oficinas que realizo na escola terão em breve, neste espaço, um post detalhado com todas as informações técnicas das atividades para que outros profissionais em todo o Brasil possam fazer uso da minha experiência, em benefício da comunidade surda.

Ao realizar as oficinas na escola tive a sensação de que o quadro “Morro do silêncio” precisava seguir seu caminho, que não mais me pertencia. Sendo assim, no dia 28 de setembro de 2012 oficializei a doação do quadro à EMEBS Helen Keller, entregando-o à diretora Mônica Amoroso.



Surdo HK - Blog dos alunos e professores da EMEBS Helen Keller
http://surdohk.blogspot.com.br

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Silvio Alvarez - Oficinas de arte e criatividade – colagem no SESC Piracicaba


Denominadas pelo SESC Piracicaba como “Recortes de Arte Ambiental”, as oficinas de arte e criatividade – colagem foram realizadas na unidade do SESC no interior paulista nos dias 3 e 16 de agosto de 2012.

No dia 3 de agosto a oficina atendeu a um grupo de 45 idosos do CRAS de Rio das Pedras, município vizinho a Piracicaba. Foi uma linda e enriquecedora experiência.










No dia 16 de agosto retornei ao SESC Piracicaba para realizar mais uma oficina, desta vez para um grupo de jovens também do CRAS de Rio das Pedras. Experiência igualmente fascinante. 





Reportagem da TV Cultura regional – Rede Claret, gravada durante a oficina do dia 16 de agosto.


Eu e Rose Meusburger, da Gaia Brasil, aproveitamos a visita a esta bela cidade, bastante conceituada no mundo das artes, a 164 km de São Paulo, e visitamos o tradicional Salão de Artes de Piracicaba na Pinacoteca Municipal.  Na mesma ocasião pudemos apreciar a Bienal Naif, realizada no SESC Piracicaba.





Contato Silvio Alvarez
www.silvioalvarez.com.br
silvioalvarez@uol.com.br

Artista plástico Silvio Alvarez – Entrevista para o site Papel de Periódico – Espanha



Mais uma vez a ferramenta Twitter fez a diferença.  Procurado na rede social pelo site espanhol Papel de Periódico concedi entrevista à colunista Gala Narváez, publicada no dia 24 de outubro de 2012.

Agradeço toda a atenção dispensada a este artista arteiro.

Muchas gracias por todo!









Papel de Periódico – Espanha
Outubro de 2012

“El arte no es pensar: es sentir y crear”
http://papeldeperiodico.com/el-arte-no-es-pensar-es-sentir-y-crear/


Oficinas de arte - colagem na Associação Brasil Huntington


Conheci Maria Gorette Nunes Marques, uma das fundadoras da Associação Brasil Huntington, por volta de 1998, logo quando cheguei a Joanópolis, a pacata estância turística do interior de São Paulo que escolhi para viver. Na ocasião, por intermédio de Gorette, soube da existência da Doença de Huntington, mas não me aprofundei muito no tema.  

A Doença de Huntington (DH) é uma desordem hereditária do cérebro que afeta pessoas de todas as raças em todo mundo. Recebeu o nome do Dr. George Huntington, médico de Long Island (EUA), que publicou uma descrição do que ele chamou “coréia hereditária”, em 1872. Originada da palavra grega para “dança”, coréia se refere aos movimentos involuntários que estão entre os sintomas comuns da DH.

A DH é uma doença degenerativa cujos sintomas são causados pela perda marcante de células em uma parte do cérebro denominada gânglios da base. Este dano afeta a capacidade cognitiva (pensamento, julgamento, memória), movimentos e equilíbrio emocional. Os sintomas aparecem gradualmente, em geral nos meados da vida, entre as idades de 30 e 50 anos. Entretanto, a doença pode atingir desde crianças pequenas até idosos. (fonte: site ABH) 

O tempo passou, e nestes 15 anos eu e Gorette nos encontrávamos eventualmente no comércio de Joanópolis e tínhamos notícias um do outro por uma querida amiga em comum, Glaura Rodrigues, já falecida. 

Contudo, as sincronicidades da vida fizeram com que viajássemos juntos para São Paulo no mês de junho de 2012 e que pudéssemos colocar os assuntos em dia. Fundada um ano antes de nos conhecermos, a ABH completou 15 anos de existência. Da minha parte, quando conheci Gorette, a colagem era um hobby, ainda nem sequer imaginava tudo o que estava por vir em minha vida neste campo. 

Conversamos muito na viagem, falei das oficinas que realizo para públicos de todas as faixas etárias e, assim, surgiu a ideia de promovermos uma atividade artística de colagem com pacientes de Doença de Huntington na sede da ABH, bem próxima da estação Vergueiro do Metrô, em São Paulo.  



A ABH – Associação Brasil Huntington, entidade sem fins econômicos, foi fundada em 27.09.97, em Atibaia, interior de São Paulo, por um grupo de 43 pessoas, membros de famílias portadoras da DH, incentivadas por Dr. Walmir Galvão de Almeida Passos, neuropsiquiatra que, na ocasião, defendia sua tese de doutorado sobre esse tema na UNICAMP.
A ABH tem como objetivo localizar, dar apoio e orientação às famílias portadoras da DH no Brasil, além de tornar conhecida a doença; aproximar portadores, familiares, cuidadores e profissionais para troca de experiências e ajuda mútua; incentivar e orientar a formação de grupos regionais; estimular pesquisas e a capacitação de profissionais da saúde; conseguir, dos órgãos de saúde pública, atendimento médico adequado; lutar por políticas públicas que defendam os interesses dos portadores de DH.
(fonte: ABH)

Antes, porém, de iniciarmos as oficinas propriamente ditas, na sede da ABH, sentimos a necessidade da realização de uma oficina teste em meu ateliê. Ministrei uma oficina particular a Gorette que, com sua experiência no trato com os pacientes com Doença de Huntington, pôde avaliar melhor a atividade e sugerir todas as adequações necessárias.

Entre as adaptações estão:
• O tamanho da base de papel cartão passou dos 15 x 15 cm usuais para 20 x 15 cm.
• As imagens e texturas escolhidas nas revistas seriam rasgadas e não recortadas. 
• Antes de iniciarmos a atividade de colagem decidimos propor dois exercícios aos pacientes, de forma lúdica, o de rasgar uma ou mais páginas de revistas em pedacinhos pequenos e o de passar a cola em bastão, ainda fechada, sobre a mesa, simulando o movimento da aplicação. 
• Ao propor cada etapa da atividade as informações devem ser transmitidas uma a uma, com voz pausada. 
• Dependendo do estágio da doença, os cuidadores e familiares podem auxiliar em praticamente todas as etapas da atividade, sugiro apenas que não haja qualquer interferência em dois pontos importantes: o da escolha das imagens, texturas e cores nas revistas e o da definição de onde cada pedaço de papel será colado na base. 

A primeira oficina de colagem realizada na ABH, em agosto de 2012, contou com a participação de 3 pacientes em diferentes estágios da doença. O resultado foi surpreendente, já que havíamos aventado a hipótese dos pacientes não conseguirem realizar a atividade completa.







Retornei à sede da ABH no mês seguinte para uma segunda oficina, esta para familiares, e cuidadores. No início da atividade, o paciente Reginaldo Silva, que havia participado da primeira oficina, mostrou algo que muito nos alegrou. Trouxe com ele 6 trabalhos de colagem produzidos em sua casa depois que tomou contato com a técnica na primeira oficina. 


Para a atividade com familiares e cuidadores contei com o suporte da arte educadora Sueli Poppi, aluna da pós-graduação em Arteterapia da Unip, curso este coordenado pela Profa. Patrícia Pinna Bernardo. Retornamos ao formato usual da base em papel cartão 15 x 15 cm das minhas oficinas tradicionais e os participantes puderam utilizar tesoura. A proposta era que a textura de fundo fosse rasgada e a figura central recortada.

Ao trabalhar com pacientes de Huntington, pude sentir na prática suas limitações, e pude me certificar que eles podem, sim, se comunicar através de outras formas que não a fala, trazendo para a colagem sentimentos que não conseguem expressar verbalmente. Pude sentir que eles têm muito a dizer. Para os familiares/cuidadores, a colagem foi um momento de desligar-se da rotina, um tempo para si.

Agradeço a toda diretoria, equipe e membros da Associação Brasil Huntington pela maravilhosa oportunidade de realizar este trabalho. Está sendo uma experiência extremamente gratificante que levo para toda a vida.











Alguns trabalhos de colagem desenvolvidos por familiares e cuidadores:











Alunos de Psicologia da Unip Tatuapé acompanharam a oficina 


Site da Associação Brasil Huntington
http://www.abh.org.br/

Associação Brasil Huntington no Facebook
http://www.facebook.com/AssociacaoBrasilHuntington

Entrevista de Silvio Alvarez ao The Huntington's Disease Project! da Florida WeHaveAFace.org
http://thehuntingtonspost.org/Artist-SilvioAlvarez.html

A oficina do dia 4 de agosto no blog da ABH
http://brasilhuntington.blogspot.com.br/2012/08/oficina-de-colagem.html

A oficina do dia 1º de setembro no blog da ABH
http://brasilhuntington.blogspot.com.br/2012/09/oficina-de-colagem-do-dia-1-de-setembro.html

Todas as fotos das oficinas realizadas na ABH
http://www.silvioalvarez.com.br/site/projetos/projetos/associao-brasil-huntington


sábado, 6 de outubro de 2012

Arte e Criatividade - Crianças...


Trabalhar com crianças é poder ser quem você é. É ter a chance de viver sem máscaras. É ouvir tudo na lata, só o que precisa ser dito, de verdade, e sem hipocrisia. Trabalhar com crianças é descobrir a cada dia que o ser humano ainda tem jeito. 

É poder viver intensamente como se ainda fosse uma criança, que nem mesmo os cabelos brancos impedem de ser. 


Trabalhar com crianças é poder constatar que a beleza da vida está em outro lugar, em um lugar diferente daquele em que sempre nos disseram que estaria. 

Hoje achei legal relembrar uma historinha que este vosso amigo arteiro vivenciou no dia-a-dia das oficinas e que, a meu ver, ressalta a espontaneidade e o poder das crianças. 

No Espaço Curumim do SESC Consolação, em São Paulo, em 2011, durante uma oficina de colagem, uma menina de 7 anos mergulha intensamente na atividade, esquecendo todos os amiguinhos que estavam à sua volta e até mesmo o pai que a havia levado até ali. O que lhe interessava somente naquele momento era o trabalhinho de colagem com recortes de revistas que o tio de cabelos brancos havia proposto há pouco.


Depois de quase duas longas horas de árduo processo criativo, com praticamente toda a textura de fundo já colada e com a imagem de uma mão espalmada como figura central, enfim, com o quadrinho de colagem quase pronto, ela me chama e diz:

- Professor, me ajuda a encontrar uma outra mão igual a essa? 
- O que você quer fazer? 
- É que com uma outra mão, só que virada para o outro lado, farei uma borboleta. 


Por mais ingênuo e romântico que possa parecer, outro dia eu disse algo que escapuliu durante uma oficina que realizei na FAAT, em Atibaia, para cerca de 80 alunos dos cursos de Pedagogia e de licenciatura de Artes Visuais, e que quero repetir aqui:

Eu acredito, de verdade, que os professores de arte podem mudar o mundo. 







 Fotos: oficinas do Projeto Artistas do Futuro em Joanópolis - SP 
Iniciativa ONG Pró-Joá – Casa de Cultura 

Não existe criança que não goste de artes plásticas, música, teatro, cinema... 
Não existe criança sem criatividade... O que podem existir são crianças sem referências.  



Contato para oficinas
silvioalvarez@gaiabrasil.com.br