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terça-feira, 1 de abril de 2014

Estudante surdo de Joanópolis visita a Escola Helen Keller em São Paulo


No dia 10 de março de 2014 iniciei mais uma etapa do Projeto Artistas do Futuro dessa vez na Escola Vicente Camargo Fonseca, em Joanópolis. Logo na primeira oficina de colagem realizada na escola conheci o garoto Daniel (ao meu lado na foto).



Daniel tem 12 anos de idade e é surdo. Devido a problemas familiares e de sáude, Daniel demorou para entrar na escola e para iniciar seu aprendizado em libras, a linguagem dos surdos. Quem me narrou todo o caso foi a Professora Viviane Soglia que tem acompanhado de perto o garoto na Escola Vicente Camargo Fonseca. 

Ao saber do caso do Daniel tive a idéia de promover a visita do garoto à querida parceira Escola Bilíngue de Surdos Helen Keller, no bairro da Aclimação, em São Paulo.  Veja como foram as oficinas Escola Helen Keller em 2011/2012 http://silvioalvarez.blogspot.com.br/2013/01/oficinas-de-arte-e-criatividade-colagem.html 


Com o apoio de todos, Coordenação da Escola Vicente Camargo Fonseca, Secretaria de Educação e Cultura, Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Joanópolis e da Escola Helen Keller, representada por sua coordenadora pedagógica, Marli Mangolini, no dia 21 de março Daniel conheceu a instituição paulistana, referência no ensino de crianças, jovens e adultos surdos. 


Foi uma grande alegria para todos, mas acho que quem curtiu mais foi o Daniel. 


Além de sua mãe, acompanharam o Daniel na visita à Escola Helen Keller, a Professora Viviane Soglia, e Susi Thomsom da Assistência Social da Prefeitura de Joanópolis. 

Agradeço a Marli Mangolini e a todos os profissionais da Escola pelo carinho com que fomos recebidos. 

Visite o blog da Escola Helen Keller 

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Oficinas de arte e criatividade - colagem para crianças, jovens e adultos surdos – Escola Helen Keller


Tomei contato com o trabalho da Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Helen Keller, localizada no bairro da Aclimação, em São Paulo, por intermédio do Twitter, ao conhecer e trocar informações com a diretora Mônica Amoroso. 


Com a diretora Mônica Amoroso, parceria firmada, e alguns dos trabalhos de colagem desenvolvidos durante as oficinas em exposição no 60° aniversário da escola. 

Em 2012, a EMEBS Helen Keller comemorou 60 anos de existência. Fundada em 13 de outubro de 1952 e é a 1º escola pública de São Paulo a atender crianças surdas. O atendimento especializado foi ampliado e hoje a escola é voltada para educação de crianças, jovens e adultos com surdez, com surdez associada a outras deficiências, limitações, condições ou disfunções e surdocegueira.


Helen Keller (1880-1968) foi uma escritora, filósofa, ativista social e conferencista norte-americana que, surda e cega desde os primeiros anos de vida, comprovou, com a sua trajetória, que as deficiências sensoriais não são, e não devem ser impedimento para a realização pessoal. Anne Sullivan foi sua professora, companheira e protetora. 

Até o momento, durante o segundo semestre de 2012, realizei 6 oficinas para crianças, jovens e adultos surdos na escola. Escrevo este post com o intuito de que outros profissionais de artes tenham mais informações para o desenvolvimento de projetos similares voltados a esse público específico.  


Algo muito importante para a realização das atividades é termos a consciência de que o contato será extremamente facilitado se procurarmos pensar como surdos, e não como ouvintes. Como ouvintes, adquirimos alguns “vícios” de linguagem, formas de nos relacionarmos com o mundo que não necessariamente fazem o mesmo sentido aos surdos.  Exemplo disso é a relevância da imagem para eles. Se para os ouvintes a imagem tem enorme atrativo, para os surdos o significado é ainda maior. 


Como não domino a língua brasileira de sinais, durante as atividades, contei com o suporte das professoras. A princípio realizei as oficinas com as professoras traduzindo simultaneamente o que eu tinha a dizer. Contudo, concluí que a melhor forma de comunicação era explicar antes a etapa da atividade para a professora e deixá-la apresentar aos alunos a seu modo. Na sequência, ilustrava a apresentação com mímica, realizando a etapa procurando ressaltar os movimentos faciais. Com a tradução simultânea, as crianças ficavam sem saber se olhavam para mim ou para os sinais da professora. 





A quantidade de participantes que se mostrou ideal para a oficina de colagem para surdos é de 15 pessoas e com, no mínimo, duas horas e meia de duração. O tamanho da base em papel cartão, em relação às demais oficinas, permaneceu o mesmo (15 x 15 cm), bem como os outros materiais. Quando a surdez é associada a outras deficiências, limitações, condições ou disfunções, a atividade é realizada tão somente com imagens e texturas rasgadas, sem o emprego da tesoura, e com base em papel cartão 20 x 15 cm. 




Outro aspecto importante é a apresentação da proposta da colagem de “textura de fundo” (expressão utilizada comumente nas minhas oficinas). No lugar de colar “textura de fundo” propusemos aos participantes que buscassem nas revistas cores que combinassem com a imagem central escolhida.

Para facilitar a apresentação em libras, cada etapa é anunciada separadamente. Primeiro buscam a imagem central e a recortam, na sequência buscam as cores e rasgam os pedaços. Por fim, partem para a colagem, primeiro das cores e depois da figura central. 

É possível propor a atividade como “pintura com papel”. Depois de realizar algumas oficinas, cheguei à conclusão de que a melhor forma de se apresentar o que teria de ser feito era demonstrar fazendo.

Oficina de colagem para o Gabriel, aluno surdocego. 

No mês de outubro de 2012, realizei oficina para o Gabriel, aluno surdocego, que perdeu a visão por volta dos cinco anos de idade. Para tanto, contei com o suporte da professora Magaly Dedino, que no período da manhã leciona exclusivamente para o jovem. Gabriel, que se comunica por intermédio de libras táteis, já desenvolve, tanto em casa quanto na escola, uma série de atividades manuais e demonstrou grande habilidade ao utilizar a tesoura.


Com a Profa. Magaly Dedino e seu aluno e, abaixo, a colagem do Gabriel


 Aproveito a oportunidade para agradecer a toda a equipe da Escola Helen Keller pela atenção, carinho e paciência para com este arteiro recortador de papelzinho. Em 2013 estarei novamente com vocês. 






Contato para oficinas ou para mais informações

Mais fotos das oficinas na Escola Helen Keller

Blog da Escola Helen Keller
http://surdohk.blogspot.com.br/

Helen Keller – Wikipédia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Helen_Keller

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Colagem - este quadro tem história: Morro do silêncio


Há cerca de um ano, por intermédio do Twitter, conheci Mônica Amoroso, diretora da Escola Municipal de Educação Bilíngue para Surdos Helen Keller, localizada no bairro da Aclimação, em São Paulo.

Quando nos conhecemos, ainda virtualmente, falou do seu trabalho frente à escola e mostrou o vídeo abaixo produzido por alunos e professores da EMEBS Helen Keller. Na ocasião, prometi que um dia ainda realizaria oficinas de colagem na Escola.


A EMEBS Helen Keller comemora 60 anos de existência, foi fundada em 13 de outubro de 1952 e é a 1º escola pública de São Paulo a atender crianças surdas. O atendimento especializado foi ampliado e hoje a escola é voltada para educação de crianças, jovens e adultos com surdez, com surdez associada a outras deficiências, limitações, condições ou disfunções e surdocegueira.

Ao assistir ao vídeo apresentado por Mônica Amoroso fiquei bastante emocionado, sobretudo com todo o bom humor demonstrado por alunos e professores. Concluí que mesmo tendo total ciência da existência de pessoas com este tipo de deficiência, que eu também fazia parte do universo de pessoas que desconheciam a realidade de um surdo em nossa sociedade.

Como que em um passe de mágica, surgiu em minha mente a ideia para o quadro Morro do silêncio, com um passe-partout de orelhas e com um morro de mãos, representando a linguagem de Libras.


Morro do Silêncio – colagem sobre MDF – 40 x 30 cm - 2012

Realizei a primeira oficina de colagem na EMEBS Helen Keller no dia 10 de setembro de 2012, justamente no dia da abertura da minha exposição no Conjunto Nacional, na Avenida Paulista.


Bastante tocado pela experiência vivida, a convite da diretora, retornei no dia seguinte para realizar atividade para cerca de 40 alunos adultos do período noturno.


Escrevo este post em 25 de outubro de 2012 e prossigo realizando oficinas de colagem na EMEBS Helen Keller, tendo agora como objetivo atender a todos os alunos da instituição. As oficinas que realizo na escola terão em breve, neste espaço, um post detalhado com todas as informações técnicas das atividades para que outros profissionais em todo o Brasil possam fazer uso da minha experiência, em benefício da comunidade surda.

Ao realizar as oficinas na escola tive a sensação de que o quadro “Morro do silêncio” precisava seguir seu caminho, que não mais me pertencia. Sendo assim, no dia 28 de setembro de 2012 oficializei a doação do quadro à EMEBS Helen Keller, entregando-o à diretora Mônica Amoroso.



Surdo HK - Blog dos alunos e professores da EMEBS Helen Keller
http://surdohk.blogspot.com.br