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domingo, 3 de abril de 2011

Workshop - A Colagem e a Arteterapia


Como já contei aqui outras vezes, a arte da colagem entrou na minha vida de forma surpreendente. Ao passar por um momento bastante difícil, e sem nunca ter demonstrado qualquer aptidão para o desenho ou para a pintura, acabei por utilizar a técnica do recortar e colar, intuitivamente, para conseguir externar meus sentimentos e seguir meu caminho.

Há alguns anos, por intermédio das redes sociais, conheci a artetepeuta Patrícia Pinna Bernardo, e, com ela, descobri que, “sem querer querendo” havia trabalho meu interior empregando a Arteterapia.


O workshop, divulgado abaixo, nasceu da necessidade de demonstrar a um número maior de pessoas, que a Arte pode ajudar muita gente, que pode ir muito além de sua função decorativa, pendurada na parede. O evento também brotou naturalmente como se já estivesse agendado “lá em riba” há muito tempo.

Na organização do workshop está a querida Sandra Siciliano, que, em certo e crucial momento, nos mostrou que, no momento certo, o sonho poderia virar realidade.

Workshop com Patrícia Pinna e Silvio Alvarez
Dia 21 de maio, sábado, das 15 às 19hs
A COLAGEM E A ARTETERAPIA:
"SOMOS NATUREZA VESTIDA DE GENTE!"
(As Árvores agradecem!)


"Pode ser que alguma pequena raiz da árvore sagrada esteja ainda viva. Nutre ela bem para que ela se cubra de folhas e volte a florescer, se enchendo com o canto dos passarinhos." (Alce Negro)

Nesse workshop Silvio Alvarez, artista plástico, apresentará a técnica da colagem, com sua história e características, mostrando a riqueza desse trabalho e aplicações possíveis.
Patrícia Pinna, psicóloga e arteterapeuta, explanará sobre os benefícios da Arteterapia e mostrará como a arte da colagem pode ser empregada como caminho para o autoconhecimento. Patrícia falará ainda sobre o tema da “Árvore da Vida”, recorrente em diversas mitologias, e que sentido isso pode ter para o homem atual, num momento planetário em que as florestas estão sendo sumariamente devastadas, o que se reflete na degradação das relações eu-outro-meio ambiente.

Silvio transmitirá então os conceitos básicos da técnica para que os participantes possam desenvolver um trabalho de colagem a partir do tema proposto.

Quando: 21 de maio, sábado, das 15 às 19 horas
Investimento: R$ 150,00
Onde: Pinheiros - São Paulo/SP
Maiores informações e inscrições: pelo tel (11) 3032-5554 (falar com Sandra Siciliano, organizadora do evento) - vagas limitadas!
*Os participantes deverão trazer 5 ou mais revistas variadas. Outros materiais serão fornecidos por Silvio.

Coordenadores do workshop:
Patrícia Pinna Bernardo
CRP: 06/16725 AATESP: 056/0905
www.patriciapinna.psc.br
www.patriciapinna.blogspot.com

Coordenadora da Pós-graduação em Arteterapia e em Arteterapia Aplicada: saúde, artes, educação e organizações (UNIP). Psicóloga (USP) e Artista Plástica (FAAP), Pós-doutora em Mitologia Criativa e Arteterapia (FEUSP), Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano (USP), Mestre em Psicologia Clínica (PUC-SP), arteterapeuta e psicoterapeuta, atuando há 28 anos com crianças, adolescentes e adultos em consultório, escolas e instituições. Professora universitária e supervisora de trabalhos clínicos e institucionais.

Autora da coleção:
A PRÁTICA DA ARTETERAPIA: CORRELAÇÕES ENTRE TEMAS E RECURSOS
Vol I: Temas centrais em Arteterapia, Vol II - Mitologia Indígena e Arteterapia: a arte de trilhar a Roda da Vida, Vol III Mitologia Africana e Arteterapia: a força dos elementos em nossa vida, Vol IV Arteterapia e Mitologia Criativa - orquestrando limiares, Vol V - A Alquimia nos Mitos e Contos e a Arteterapia: Criatividade, transformação e Individuação.
Silvio Alvarez
http://www.silvioalvarez.com.br

Artista plástico paulistano, autodidata, trabalha com colagem desde 1989. O artista costuma dizer que a principal matéria-prima do seu trabalho, ainda mais importante do que o papel, é a paciência. Silvio recorta, uma a uma, imagens de revistas ou de folhetos publicitários para compor um mundo todo seu, mágico e surreal. Além de expor e comercializar suas obras, desenvolve projetos especiais para empresas ligados à sustentabilidade e ministra oficinas de colagem para todas as faixas etárias.

Silvio Alvarez - contato para oficinas
silvioalvarez@gaiabrasil.com.br 

www.silvioalvarez.com.br 

sábado, 13 de março de 2010

Colagem - Esta técnica tem História - Como nasceu o ''recorta e cola''


Mostra em Nova York reúne fotocolagens das súditas da rainha Vitória, que usavam a técnica para entreter amigos e exibir status

"Como nasceu o recorta e cola"

Artigo de Tonica Chagas, publicado no jornal O Estado de São Paulo - 03/03/2010



Com suas tesourinhas, potinhos de cola e aquarela, senhoras e senhoritas da aristocracia britânica já criavam fotocolagens cheias de imaginação décadas antes de a vanguarda artística do início do século 20 começar a compor com essa técnica. Organizada pelo Art Institute of Chicago e em exibição no Metropolitan Museum, a pequena e divertida Playing with Pictures: The Art of Victorian Photocollage lembra este fenômeno pouco conhecido da fotografia de meados do século 19. Os 48 trabalhos reunidos ali, entre eles um de autoria da princesa Alexandra (1844-1925) e cedido pela rainha Elizabeth II, mostram um aspecto da sociedade vitoriana guardado em álbuns feitos para entreter amigos, puxar conversa com pretendentes e exibir o círculo de amizades, real ou não, de suas criadoras.


Uma das coisas que estimulou aristocratas vitorianas a criar seus álbuns foi o uso das cartes de visite, os cartões de visita com retratos, que disseminou a fotografia entre a classe média e deu celebridade a gente da high society. Com uma câmera de quatro lentes, podia-se expor oito retratos com poses diferentes num único negativo em placa de vidro, barateando e multiplicando a produção. Colecionar retratos de amigos, parentes e figuras da nobreza virou, então, uma febre, a cartomania. Em vez de apenas guardar os retratos em álbuns comuns, as britânicas ricas e educadas os recortavam e colavam em cenas elaboradamente desenhadas com aquarela nos seus álbuns especiais.

Para uma súdita da rainha Vitória, desenhar e pintar demonstravam não só refinamento e talento como também eram sinal de status, de que ela tinha meios para comprar manuais e pagar aulas particulares. Na época, como era preciso muito tempo de exposição do negativo para capturar uma imagem, as pessoas posavam para a câmera como tableaux vivants e aquelas artistas produziam as colagens dos seus álbuns da mesma maneira. Uma das vantagens que tinham era representar situações impossíveis de fotografar, como pessoas passeando ao luar, por exemplo, pois ainda havia limitação técnica para capturar movimento com pouca luz.


A fantasia visual nos álbuns de Playing with Pictures demonstra também o humor de quem os criou. Composições com cartas de baralho lembram um passatempo comum da alta sociedade vitoriana, assim como o "mixed pickles", jogo em que se formam sentenças engraçadas com palavras escritas em papeizinhos tirados ao acaso de dentro de um jarro. Outra inspiração comum eram as histórias infantis dos Irmãos Grimm, de Hans Christian Andersen e o Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, que induziam a brincar com proporções, fazer combinações surreais de cabeças humanas com corpo de animais ou armar cenários de contos de fadas com rostos de criancinhas de verdade.


Alimentados pela troca de cartes de visite, os álbuns também funcionavam como um site de relacionamento social de hoje em dia. Quanto mais figurão aparecesse em seu álbum, mais alto seria o lugar de sua dona nos escalões do "quem era quem" da sociedade vitoriana. Às vezes esse status nem vinha do berço, como era o caso de Mary Georgiana Caroline Filmer (1840-1903). Apesar de não ter título aristocrático, desde cedo ela circulou no meio político e no grand monde de Londres. Fotos dela aparecem nos álbuns da princesa Alexandra e da condessa de Yarborough e sabe-se que o príncipe de Gales, o futuro Eduardo VII e conhecido mulherengo, manteve um longo flerte com ela por meio de cartões de visita. Num de seus álbuns, numa cena de visita em sua sala de desenho, lady Filmer colocou o príncipe em lugar de destaque e colou uma foto menorzinha do marido sentado perto de um cachorro.


Os álbuns reunidos em Playing with Pictures formam um autorretrato coletivo da aristocracia vitoriana e apontam as origens da fotocolagem como arte. Enquanto a maior parte da fotografia britânica naquele período era produzida por homens, exibida em salões anuais e impressa para venda, as mulheres a usaram para o prazer particular e anteciparam movimentos artísticos tão importantes como o surrealismo e o construtivismo.