A edição de outubro da Revista Kalunga traz reportagem a respeito da minha história de vida e do meu trabalho de colagem, intitulada “Silvio, Mãos de Tesoura”.
No dia 26 de setembro de 2016, recebi o Diretor de Redação da Revista Kalunga, Manoel Dorneles, no Hotel Tuilp Inn, em São Paulo. Em um longo bate-papo, que durou mais de 3 horas, narrei toda a minha história de vida, falei do Projeto Artistas do Futuro e da exposição que iria ocorrer no Conjunto Nacional.
A matéria nasceu de um telefonema que dei apresentando o meu trabalho à redação. Fiquei bastante à vontade em entrar em contato, pois sou cliente da Kalunga há alguns anos. Todo o material que utilizo em meus projetos é comprado na Kalunga, em sua loja virtual.
Muito se fala da dificuldade que nós artistas temos de acesso à mídia, mas neste caso fui atendido prontamente e com grande interesse na pauta por parte de seu Diretor de Redação, Manoel Dorneles.
Nesta sexta-feira, 4 de outubro de 2013, a colagem mundial e a arte como um todo ganharam um maravilhoso presente, uma notícia que irá reafirmar a técnica da colagem como expressão artística genuína.
Nicholas Serrota, diretor da Tate Modern, de Londres, anunciou em entrevista coletiva a exposição “Henri Matisse: As Colagens” com inauguração marcada para abril de 2014, que reunirá 120 das notáveis colagens de Matisse, uma quantidade jamais exibida em lugar algum. Elas variam em tamanho: desde miniaturas até obras que cobrem uma parede inteira.
"É simplesmente a mais importante exposição dessa fase do trabalho de Matisse até agora e, acho eu, jamais será igualada", disse o diretor da Tate, Nicholas Serota, em entrevista à imprensa nesta sexta-feira.
(...) “Desenhar com a tesoura, recortar as cores vivas, lembra-me o trabalho direto dos escultores… uma tesoura é um instrumento maravilhoso e o papel que uso para os meus recortes é magnífico… trabalhar com a tesoura neste papel é uma ocupação na qual me posso perder… o meu prazer pelo recorte aumenta a cada dia que passa! Por que é que não pensei nisto antes? Cada vez me convenço mais de que com um simples recorte se pode expressar as mesmas coisas do que com o desenho e a pintura…”. Henry Matisse em “Escritos e Pensamentos sobre a Arte”
Abaixo, reprodução artigo Agência Reuters Brasil
Por Michael Roddy
LONDRES, 4 Out (Reuters) - Pintores que estão envelhecendo algumas vezes repetem uma mesma imagem várias e várias vezes, confiando em sua fama e em sua assinatura para ganhar dinheiro. Em vez de fazer isso, Henri Matisse, que faleceu aos 84 anos, em 1954, criou ousadas colagens com recortes de papel colorido que deixaram até mesmo Picasso com inveja.
"Henri Matisse: As Colagens", com inauguração marcada para abril na Tate Modern, em Londres, seguindo depois para o Museum of Modern Art in New York, reunirá cerca de 120 das frágeis, mas notáveis colagens de Matisse, uma quantidade jamais exibida em lugar algum. Elas variam em tamanho: desde miniaturas até obras que cobrem uma parede inteira.
"É simplesmente a mais importante exposição dessa fase do trabalho de Matisse até agora e, acho eu, jamais será igualada", disse o diretor da Tate, Nicholas Serota, em entrevista à imprensa nesta sexta-feira.
Retrospectivas anteriores nos anos 1970 em Detroit e cerca de uma década atrás em Frankfurt reuniram aproximadamente 60 colagens, que se tornaram o meio de expressão favorito do pintor "fauvista" na idade avançada.
A nova mostra incluirá nus, modelos dos vitrais das janelas da Capela do Rosário, em Vence, na França, cenas de circo e um conjunto de estudos para um livro que seria intitulado "Jazz". Muitas são feitas inteiramente de peças de papel, algumas vezes montadas sobre outro papel ou telas.
A mostra incluirá o maior número de "Nus Azuis" de Matisse jamais reunido até hoje, incluindo o mais importante da série, o "Nu Azul I", de 1952, emprestado pela Beyeler Foundation, da Basileia. A mostra irá de 17 de abril a 7 de setembro.
Resolvi escrever este post devido à quantidade de perguntas que surgem nas oficinas referentes ao processo criativo dos meus quadros. Acho muito bacana quando o meu trabalho de colagem com recortes de revistas desperta esta curiosidade.
Como surgem os temas dos quadros?
Foto: Zé Goulart
Em geral os meus quadros tratam da relação do homem com o meio ambiente, com as grandes cidades, e, sobretudo, da relação do homem com ele próprio. A partir deste tema básico, a inspiração pode vir das mais variadas fontes.
A invasão dos Pinguins, de 2010, por exemplo, surgiu de uma reportagem de telejornal, que narrava a aventura de um pinguim da Patagônia perdido que veio boiando em seu iceberg até o Rio de Janeiro. Imaginei como seria, com as mudanças climáticas avançando, uma hipotética invasão desses simpáticos bichinhos mundo afora.
Já o quadro Os Cordeiros, de 2012, nasceu da minha eterna indignação com um fato que, a meu ver, é um dos principais males contemporâneos. É o que classifico particularmente como “psiquiatrização da sociedade”.
A partir da inspiração, que pode vir a qualquer hora e lugar, a ideia básica do novo quadro aparece praticamente pronta em minha cabeça. Recorro, então, a uma espécie de sketchbook de colagem apenas para ter uma referência visual do tipo de imagem e das tonalidades ideais que irei empregar no quadro.
A grande diversão arteira começa neste ponto, procurar nas revistas tudo o que preciso para o novo trabalho. Em geral folheio revistas já buscando material para 20, 30 quadros, o que economiza tempo. Folhear revistas em busca das figuras é a melhor parte, a mais divertida, mas é também a etapa mais demorada. Durante o agradável ritual de garimpar imagens nas revistas, a ideia original pode ganhar outro rumo, mas o básico visualizado inicialmente, em geral, é mantido.
Vou procurando as imagens nas revistas e arrancando as páginas que trazem aquilo que quero. Em meu arquivo, vou separando em pilhas de páginas, uma pilha de páginas de revistas para cada quadro. Aproveito também para arquivar, por categorias, imagens que encontro nas revistas e que usualmente são necessárias às produções.
Com uma quantidade suficiente de imagens selecionada, passo a verificar o que realmente irá para o quadro e o que voltará para o arquivo. Com tudo selecionado e definido, inicio o recorte das imagens e das texturas, guardando-as em bandejinhas de isopor, separadas por tamanho e também por tonalidade.
Com tudo recortado e separado nas bandejinhas, começo a colagem propriamente dita. O passe-partout é a primeira parte que colo, sempre.
Espero que estas dicas auxiliem quem está querendo começar a recortar e a colar ou a quem quer apenas aprimorar a técnica.
Sejam muito bem-vindos ao maravilhoso mundo do recorta e cola :D