sábado, 2 de junho de 2012

Oficina de colagem no V Festival da Mantiqueira - Arte e literatura infantil



No dia 26 de maio de 2012, a convite da Secretaria de Estado da Cultura e da APAA, Associação Paulista dos Amigos da Arte, realizei oficina de colagem no V Festival da Mantiqueira – Diálogos com a Literatura, em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos.

Além de ter sido uma linda oportunidade e uma das experiências mais legais da minha carreira, esta oficina tem toda uma história muito legal a ser compartilhada. 

Como a oficina seria realizada em um festival literário,  precisou ser adaptada ao contexto. Recorri, então, à amiga Lyslei Nascimento, Professora de Literatura da UFMG para a indicação de um texto que pudesse inspirar os participantes na produção de um quadrinho de colagem durante a oficina. Desta forma, fui apresentado à obra de Bartolomeu Campos de Queirós. Pesquisei bastante a respeito do escritor e pedagogo mineiro e escolhi o livro “Os Cinco Sentidos” 



Bartolomeu Campos de Queirós foi muito mais do que um escritor. Nascido em 1944, viveu a infância em Papagaio (MG). Com mais de 40 livros publicados (alguns deles traduzidos para inglês, espanhol e dinamarquês), formou-se em educação e artes, e criou-se como humanista. Estudioso da filosofia e da estética, utilizou a arte como parte integrante do processo educativo. Cursou o Instituto de Pedagogia em Paris e participou de importantes projetos de leitura no Brasil como o ProLer e o Biblioteca Nacional, dando conferências e seminários para professores de leitura e literatura. Foi presidente da Fundação Clóvis Salgado/ Palácio das Artes e membro do Conselho Estadual de Cultura, ambos em Minas Gerais, sendo também muito convidado para participar de júris e comissões de salões, além de curadorias e museografias (Fonte: site da Editora Cosac Naif) .


Com o texto escolhido, precisava de uma equipe de monitores que pudesse dar todo o suporte na realização de uma oficina para 100 crianças.  Surgiu a ideia de convidar para este grande desafio as alunas do curso de pós-graduação em Arteterapia da Unip coordenado pela professora Patrícia Pinna Bernardo. Deu certo! No dia 5 de maio realizei treinamento específico com a equipe de arteterapeutas que esteve ao meu lado durante a oficina na Biblioteca Solidária de São Francisco Xavier, são eles: Adriana Leopold, Priscila Galante, Danila Rodrigues, Celso Frederico e Sueli Poppi. 


Para a produção e suporte geral, contei mais uma vez com a querida parceira Rose Meusburger, da Gaia Brasil, na foto abaixo com Kenia Maciel, da APAA.


Para a apresentação de trechos do livro “Os Cinco Sentidos” de Bartolomeu Campos de Queirós” produzi uma série de colagens em papel cartão que ilustraram a performance desenvolvida com a equipe de arteterapeutas . 



Para a performance, cada arteterapeuta ganhou um nome peculiar Tia Visão (Adriana Leopold), Tia Olfato ( Priscila Galante), Tia Paladar (Danila Rodrigues), Tio Audição (Celso Frederico) e Tia Tato (Sueli Poppi).

O texto foi apresentado logo no início da oficina com a participação dos tios. Foi muito lindo e divertido. 






Mais de 70 crianças e adultos participaram da oficina realizada na Biblioteca Solidária de São Francisco Xavier. A oficina foi aberta ao público do V Festival da Mantiqueira, era necessário apenas retirar uma senha uma hora antes do evento. Cada participante produziu um quadrinho de colagem em papel cartão, com recortes de revistas.





Para encerrar a oficina e a homenagem ao escritor Bartolomeu Campos de Queirós com chave de ouro, as crianças colaram uma figurinha cada em um painel previamente produzido com a temática “Os Cinco Sentidos”.



O painel “Os Cinco Sentidos” foi doado à Biblioteca Solidária de São Francisco Xavier e entregue oficialmente ao coordenador, Sidnei Pereira Rosa, ao término do evento. 


Quero agradecer à Professora Lyslei Nascimento, da UFMG, por indicar a obra de Bartolomeu Campos de Queirós, ao próprio escritor e pedagogo Bartolomeu por ter escrito algo tão lindo e sensível, a Kenia Maciel, da APAA e toda a sua equipe, pela confiança e total apoio ao empreendimento, à querida parceira Rose Meusburger, da Gaia Brasil, pelo suporte e competência de sempre na produção, à equipe de arteterapeutas, pelo carinho e dedicação com que trabalharam, incluindo a coordenadora do curso da Unip, a Profa. Patrícia Pinna Bernardo e ao Coordenador Sidnei Pereira Rosa, pelo carinho com que nos recebeu  na Biblioteca Solidária de São Francisco Xavier.

A oficina do V Festival da Mantiqueira trouxe muitas novas ideias!



Em meu site, todas as fotos da oficina realizada durante o V Festival da Mantiqueira
http://www.silvioalvarez.com.br/site/projetos/projetos/oficina-v-festival-da-mantiqueira

terça-feira, 1 de maio de 2012

A arte da colagem e a gastronomia


Uma das coisas mais legais que podem acontecer a um artista plástico é vender um quadro para um restaurante. Sim, é algo muito bom, pois o quadro comercializado não permanece encerrado entre quatro paredes, tão somente para apreciação dos seus proprietários. No caso de um restaurante a obra ali exposta passa a estar também à disposição de um incontável número de pessoas, divulgando assim o trabalho de forma intensa e duradoura. 

O primeiro espaço gastronômico a adquirir um de meus trabalhos de colagem foi a Cantina Provincia di Lucca, de Gino Dinelli e André Fabiano, em Joanópolis, estância turística localizada a 100 km de São Paulo e que escolhi para viver 15 anos atrás. 


Além de terem incluído um dos meus quadros no apurado acervo de arte da Cantina, Gino e André estão entre as pessoas que mais divulgam o meu trabalho. É muito comum eu ouvir de diversas pessoas: “ah, eu já conhecia o teu trabalho lá da Cantina”. O quadro “O Reino Encantado dos Sabores” foi produzido sob encomenda, especialmente para a Cantina Provincia di Lucca, em 2009.

Mas a grande atração da Cantina Provincia di Lucca fica mesmo por conta do atendimento carinhoso e do maravilhoso cardápio, elaborado pelo Chef Gino Dinelli. Sou fã incondicional do Fettuccine al’Arancio, elaborado à base de raspas e sumo de laranja, hortelã picada, manteiga e creme de leite.

A segunda encomenda para um espaço gastronômico veio aqui também de Joanópolis. Em 2011, Heloisa Collins solicitou 4 quadros, com o tema cabras, para o seu Capril do Bosque Bistrô. Por tratar-se de quatro peças, associei imediatamente a concepção dos quadros à obra de Vivaldi, As Quatro Estações.  Assim surgiu a série “As Cabras de Heloisa”, as "mimosas meninas" do Capril do Bosque ambientadas em quatro paisagens diferentes, sempre procurando mencionar também a cidade de Joanópolis, que acabou transformada em cidade praiana e em Bariloche tupiniquim. Queijólotra inveterado, sou totalmente suspeito para falar ou sugerir um prato específico do cardápio do Bistrô, elaborado pela Chef Ju Raposo. 






À disposição do público na Continuum Design, loja de design sustentável no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, em 2011, dois dos meus quadros seguiram caminho adquiridos pelos proprietários da rede de restaurantes Manai Gastronomia, especialmente para a nova unidade Berrini, na ocasião, preste a ser inaugurada. O charmoso espaço gastronômico paulistano somou ao seu acervo os quadros “O Sonho de Alice” e “A Invasão dos Pinguins”. “O Sonho de Alice”, de 2008, foi produzido originalmente para a mostra “Luxo”, promovida pela marchand Edes Francesca Dalle Molle, no mesmo ano, no Sofitel SP. Já “A Invasão dos Pinguins”, de 2010, foi produzido para compor a série Arte e Sustentabilidade, apresentada em São Paulo, Curitiba e Palmas, Tocantins. 




Pelo que parece, a minha arte deve ter mesmo alguma notável ligação com a gastronomia. Em novembro de 2011, fui convidado a participar do programa de culinária da Rede TV!, o Nestlé com Você. Entrevistado por Fabrizio Fasano Jr, foi uma oportunidade fantástica para apresentar o meu trabalho de forma bastante ampla e para também saborear um maravilhoso prato da chef Carole Crema :D 


Cantina Provincia di Lucca - Joanópolis
http://www.joanopolis.com.br/provinciadilucca/
http://cantinaprovinciadilucca.blogspot.com.br/

Capril do Bosque Bistrô - Joanópolis
http://caprildobosque.blogspot.com.br/2012/04/comemore-suas-alegrias-no-bistro-do.html

Sites da Estância Turística de Joanópolis
http://www.joanopolis.com.br/
http://joanopolis.sp.gov.br/como_chegar.php

Continuum Design
http://www.continuumdesign.com.br/

Manai Gastronomia
http://www.manaigastronomia.com.br/

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Silvio Alvarez - Colagem e arte postal


Segundo  artigo de Maira Reis, para a Revista da Cultura, a arte postal surgiu em 1962, quando o artista plástico norte-americano Ray Johnson (1927-1995) criou a escola New York Correspondance School of Art. A ideia visava estimular a produção artística via troca de correspondências, tornando o correio um veículo imprescindível para a integração cultural entre artistas das mais diversas partes do globo.

Durante um bom tempo apenas namorei de longe a ideia de participar desse movimento universal. No começo não entendia muito bem como um trabalho artístico poderia ser enviado pelos Correios e qual o real sentido da atividade. O tempo passou, pesquisei algumas iniciativas de arte postal na internet e resolvi atender a uma primeira convocatória, vinda da Bélgica. A proposta, em especial, chamou minha intenção por tratar-se exclusivamente de trabalhos com a técnica da colagem e com a finalidade de apresentar o surrealismo às crianças da Biblioteca Central de Hainaut. 





A partir daí peguei o gosto pela coisa e passei a ficar mais antenado em outras convocatórias  de arte postal à disposição na internet, que, diga-se de passagem, não são poucas. Em geral escolho aquelas cujos temas tenham mais a ver comigo, com temas que em geral abordo em meus quadros. E quando essa identidade acontece, quase sempre surge de pronto uma ideia na cachola. A arte postal possibilita que apresentemos livremente as nossas visões sobre os mais variados temas. O que me atrai no formato, sobretudo, é a liberdade. Fico livre para criar sobre um tema que aprecio, e é uma viagem. Além do quê, em geral são solicitados trabalhos de 10 x 15 cm, o que não exige muito tempo de produção.  

Na sequência surgiu a convocatória de Claudia Ligorria, da Argentina, com o tema “Mi lugar en el mundo”. Mãos à obra! Desta vez, a mostra de arte postal foi realizada na Fundação Plurales, em San Fernando, Buenos Aires. 


No caso do trabalho para a Mostra Cinema e Diversidade, do CineClube Paraty, uma iniciativa do amigo artista plástico e colagista Lauro Monteiro, tinha já em mente produzir algo misturando diferentes fisionomias. A convocatória veio de encontro ao que havia previamente elaborado.



Mais recentemente tomei conhecimento, por intermédio do Twitter, da 1º Mostra Internacional de Arte Postal de Trinidad & Tobago, com o tema “self-portrait”. Lá estava eu “mais uma vez de novo outra vez novamente”.







Não é legal? Além de propagar e incentivar a arte junto à criançada de todo o mundo, a arte postal também promove a amizade entre os promotores e artistas. É uma experiência fascinante que recomendo a todos aqueles que apreciam arte. Pois é, não é necessário ser artista para participar, basta querer, encontrar uma convocatória legal na internet, ter uma ideia em mente e ir até a agência dos Correios mais próxima. 

Artigo de Maira Reis para a Revista da Livraria Cultura
http://www.revistadacultura.com.br:8090/revista/rc52/index2.asp?page=arte

Arte Correo – Claudia Ligorria – Argentina

http://www.artecorreo-claudialigorria.blogspot.com.br/search/label/EXPOSICION%20DE%20OBRAS%20CONVOCATORIA%20%22MI%20LUGAR%20EN%20EL%20MUNDO%22


Mostra Cinema e Diversidade – Cineclube Paraty – Artigo Paraty OnLine
http://www.paratyonline.com/jornal/2011/12/cinema-e-diversidade-mostra-de-arte-postal-casa-da-cultura-paraty/

Postal Art – Trinidad & Tobago
http://www.postalarttrinidad.com/home


terça-feira, 17 de abril de 2012

A colagem como ferramenta didática - Professores e o efeito multiplicador


Quando realizo uma oficina e as crianças voltam para casa felizes e satisfeitas, isso já é motivo de enorme alegria para este vosso amigo arteiro recortador de papelzinho. Agora, quando realizo oficinas para professores e vejo estes propagarem o conceito em sala de aula, aí a realização profissional é total. 

Tem sido muito bom constatar que o número de professores que tomam essa iniciativa vem aumentando a cada dia. A primeira a proporcionar esta alegria foi a Profa. Denise Moro, à época lecionando em Florianópolis, hoje em Santa Maria – RS. A exemplo dos meus trabalhos da primeira fase, Denise propôs aos alunos colagens circulares em pratos de papelão. 




No ano passado, 2011, a Profa. Telma Alves entrou em contato para mostrar o lindo trabalho de colagem produzido por seus alunos do primeiro ano, na Escola Mopi, no Rio de Janeiro. A professora utilizou o meu quadro O Jardim e a colagem como ferramenta didática para apresentar aos alunos a obra de Monet. 



Já a Profa. Solange Seno desenvolveu com os alunos uma árvore toda produzida com desenhos recortados das mãozinhas das crianças e com imagens de revistas. 


Lá em Palmas, Tocantins, o Prof. Alexandre Araripe promoveu uma exposição no SESC para apresentar as colagens dos seus alunos produzidas a partir da exibição de uma reportagem a respeito do meu trabalho. E viva a internet!




Outra experiência maravilhosa foi conferir de perto, a partir das oficinas realizadas e da iniciativa das Profas. Bárbara Enomoto e Márcia, os trabalhos desenvolvidos por alunos da Escola Bosque, de São Paulo, para a Feira de Ciências e para a Semana de Artes de 2011.





A Profa. Simone Santiago, da Rede Municipal de Ensino do Rio de Janeiro, concluindo sua monografia a respeito do emprego da técnica da colagem em sala de aula, realiza oficinas com seus alunos para apresentar a História da Arte, sempre uma grata surpresa. 





Esta semana tive outra grata surpresa. A Profa. Vivi Fernanda, que participou da minha oficina na pós-graduação em Arteterapia da Unip, propôs aos seus alunos do fundamental II do Colégio Degraus, em São Paulo, que realizassem ampla pesquisa a respeito do meu trabalho. Ao apresentarem o resultado da pesquisa, os alunos participaram de um debate, refletindo sobre técnica, estética e o enfoque ambiental. Durante o bimestre, em oficina criativa, foram produzidas, também empregando a técnica, capas dos "diários dos artistas" de cada um deles. Para finalizar o projeto com chave de ouro, cada um produziu uma colagem em papel cartão 15x15 cm para uma exposição no colégio. 


Esta é a Profa. Vivi Fernanda e a exposição dos trabalhos dos seus alunos.